Eleições nas capitais revelam disputa paralela entre PT e PFL

PT e PFL estão travando um duelo à parte nas eleições municipais, que mostra os primeiros contornos da correlação de forças para a eleição presidencial de 2002, segundo o Jornal do Brasil. Na área mais visível, as capitais, o PT vai para o segundo turno com Tarso Genro, em Porto Alegre, e o PFL fica fora porque Yeda Crusius não obteve a segunda colocação.

A situação se inverte no Rio, com a vitória de Luiz Paulo Conde (PFL) e o PT fora da disputa. Em São Paulo, Marta Suplicy (PT) está na final. Em Salvador, Antonio Imbassahy (PFL) está eleito, numa briga direta com o PT, mas em Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL), que trazia folgada vantagem, vai enfrentar um candidato do PT. Recife terá também uma disputa entre os dois partidos.

O PT lidera, e vai para o segundo turno em Belém, Goiânia e Aracaju. O PT espera aumentar o número de prefeitos dos atuais 107 para 300. O PFL faz outra conta e prevê crescimento de votos dos 2,6 milhões da última eleição para 3,7 milhões.

O PSDB, em Teresina e Cuiabá, e o PMDB, em Campo Grande (MS) e João Pessoa, elegeram dois prefeitos cada um no primeiro turno. O PPB venceu, coligado ao PFL, com Ângela Amin, em Florianópolis. (pág. 1, 2 a 9 e de 12 a 16)

A vitória de Conde com 34,74% contra os 23,04% de César Maia tornou a disputa para o 2º turno acirrada. Fora do 2º turno por uma diferença de 13 mil votos em relação ao ex-prefeito, a vice-governadora Benedita da Silva (PT) pode ser o fiel da balança no dia 29 de outubro. Só a candidata petista teria votos suficientes para garantir uma reviravolta favorável ao petebista.

O cruzamento da última pesquisa JB-America Online-DataUFF realizada na quarta-feira, revela que 61% dos entrevistados dispostos a votar na petista elegeriam Conde, enquanto 39% rejeitariam o prefeito.

Já César Maia poderia contar com 57% dos potenciais eleitores da vice-governadora, enquanto 43% não votariam no ex-prefeito de jeito nenhum. "O projeto dos dois é o mesmo", disse a vice-governadora, ontem (dia 01) à noite, depois de confirmado o resultado.  

Avanço das esquerdas

O principal resultado da última eleição municipal do milênio, de acordo com os primeiros resultados das urnas, é o avanço das esquerdas, que dominavam apenas sete prefeituras em 26 capitais, segundo a coluna Coisas da Política, de Teodomiro Braga, do Jornal do Brasil. Num grande salto, as esquerdas deverão triunfar em mais de dez capitais, e a lista poderá incluir a principal metrópole do País, São Paulo. Nenhum partido cresceu tanto quanto o PT neste pleito.

Teste

É preocupante, para o ex-governador Marcello Alencar, o teste da reeleição no nível municipal, segundo a coluna Informe JB, de Walter Fontoura, do Jornal do Brasil. Os prefeitos dos 6.000 municípios brasileiros dispõem, quase todos, de um poder que ninguém tem, e poucos podem contestar. Os equipamentos públicos, a escola, a saúde. O prefeito é como o dono de uma casa pequena, que pode dispor de tudo como melhor lhe parecer.

Por mais ridículas que sejam as verbas, ele sempre tem à sua disposição as transferências do Fundo de Participação de Municípios, pode empregar, mandar comprar uma simples pipa d'água e resolver o problema de uma família. Ainda é muito assim, em todo esse nosso Brasil. Por isso acho que um dos resultados mais importantes dessa eleição é a exigência de uma reforma política.

Erundina recomenda voto em Marta

A candidata do PSB à prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina, disse ontem (dia 01) que vai recomendar o voto em Marta Suplicy (PT), no segundo turno das eleições em São Paulo, de acordo com a Folha de S. Paulo. "A intensidade do apoio vai depender de questões programáticas", disse. Com 11% dos votos válidos na pesquisa de boca-de-urna do Datafolha, Erundina está fora da disputa.

Pela pesquisa, Marta (40%) vai ao segundo turno contra o pepebista Paulo Maluf (17%) ou o tucano Geraldo Alckmin (16%). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. Com 11%, Romeu Tuma (PFL) cogita apoiar Marta. "Todos vão querer me namorar agora".

Entre as dez capitais pesquisadas, só em Salvador a eleição está definida no primeiro turno: Antonio Imbassahy (PFL) tem 55%. Em Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), favorito para ser eleito hoje, vai ao segundo turno contra Angelo Vanhoni (PT). Também haverá nova votação em Fortaleza, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.

Apuração

A apuração nos 5.559 municípios do País deve ser concluída até o meio-dia, prevê o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), segundo a Folha de S. Paulo.

Na primeira eleição totalmente eletrônica 2.229 urnas com defeito, de um total de 322.500. Em Ribeirão Pires (SP), mais de 40% apresentaram falhas.

Conflito

Um índio morreu e um soldado foi espancada em conflito entre integrantes da reserva indígena Votouro e a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, segundo a Folha de S. Paulo. O choque ocorreu na reserva, próxima a Faxinalzinho (RS). Segundo a PF, índios, divididos em facções eleitorais, brigavam entre si quando a Brigada interveio.

Evolução da Justiça Eleitoral

"Voto tranqüilo" é o título do editorial da Folha de S. Paulo: "É notável a evolução conquistada pela Justiça Eleitoral no que tange à organização das votações no Brasil. O que se viu no evento de ontem (dia 01) foi uma organização que, ao garantir um fluxo tranqüilo de votantes nos colégios eleitorais e ao reduzir tempo e possibilidade de manipulação na apuração dos votos, contribuiu decisivamente para fixar um padrão de qualidade nesse que é um importante setor da institucionalidade democrática brasileira."

"Tranqüilidade e organização nos pleitos são requisitos técnicos fundamentais para o enraizamento democrático. Tudo o que se espera é que o conteúdo do voto siga essa tendência, para que se possa melhorar progressivamente a qualidade dos representantes eleitos."

"Nunca mais"

O slogan "Maluf nunca mais" será a linha de frente da campanha suprapartidária de Marta no segundo turno, caso o pepebista vá para o segundo turno, como acredita o PT, segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo. A frase vai ser impressa em adesivos e camisetas da candidata petista.

 Caso vá para o segundo turno, Maluf só usará questões como aborto e união civil entre homossexuais para atingir Marta em caso de recurso extremo. Considera que perde mais do que ganha com isso. Vai priorizar os ataques violentos ao PT e insistir na tecla da experiência.

Marta vai enfrentar Maluf no 2º turno

O candidato do PPB, Paulo Maluf, será o adversário de Marta Suplicy, do PT, no segundo turno da eleição para prefeito de São Paulo, de acordo com O Estado de S. Paulo. A vitória de Maluf, por cerca de 6 mil votos, só se definiu no fim: ele disputou voto a voto com Geraldo Alckmin, do PSDB, desde o início da apuração. Como as pesquisas haviam antecipado, Marta conquistou sem problemas o primeiro lugar, com mais do dobro da votação do segundo colocado. Romeu Tuma, do PFL, ficou na quarta posição e Luiza Erundina, do PSB, em quinto. "Meus votos representam um não à corrupção e à política tradicional", disse Marta ao comemorar o resultado.

Nem bem terminou a apuração e os articuladores da campanha de Marta já começavam a cobrar do PSDB a retribuição do apoio dado por dirigentes do partido ao então candidato Mário Covas, hoje governador do estado, contra o mesmo Maluf. Para Marta, todos os setores que desejam o bem da cidade devem unir-se contra o ex-prefeito.

"Esta foi a eleição mais difícil da minha vida", reconheceu Maluf, agradecendo ao "povo pobre de São Paulo". Já Erundina, com os olhos cheios de lágrimas, afirmou que recomendará a seus eleitores o voto em Marta. "Mas a densidade da participação na campanha dela vai depender de uma discussão programática", advertiu.

Definições

A sucessão municipal foi definida ontem (dia 01) em 15 das 27 capitais brasileiras - nelas não haverá segundo turno porque um dos candidatos obteve mais de 50% dos votos válidos ou porque há menos de 200 mil eleitores (caso de Macapá), segundo O Estado de S. Paulo. Estão nessa situação, entre outras capitais, Salvador, São Luís, Florianópolis, Campo Grande, Teresina e Vitória. O prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), já pode considerar-se um dos campeões das urnas do País: teve 68,6% dos votos, a mais alta porcentagem nas capitais.

Em Natal, a prefeita Vilma de Faria (PSB) confirmou o favoritismo - teve 57% dos votos -, mas seus sete adversários entraram com representação na Justiça Eleitoral contra ela. Eles a acusam de abuso de autoridade e de poder econômico, porque, a quatro dias da eleição, teria enviado a cada servidor municipal - são 13 mil funcionários - um cartão que dá direito a atendimento de urgência. Vilma não quis comentar o resultado da eleição.

Rio

O prefeito Luiz Paulo Conde (PFL), com 34,69%, vai disputar o segundo turno no Rio com César Maia (PTB), com 23,03%, apurados 99,94% dos votos, de acordo com O Estado de S. Paulo. Depois de uma disputa acirrada com Maia, Benedita da Silva (PT) ficou com 22,63%. A derrota no Rio foi uma surpresa para o PT. Nas outras nove capitais - além de São Paulo e Rio - em que vai haver segundo turno, o PT é favorito em Porto Alegre, Goiânia e Belém e o PFL, em Curitiba e Recife, contra candidatos petistas.

Tarso Genro (PT), com 48,7% dos votos válidos, quase vence no primeiro turno em Porto Alegre - Alceu Collares teve 20,1%. Patrícia Gomes (PPS) acabou em quarto lugar em Fortaleza, onde Juracy Magalhães (PMDB) ficou em primeiro lugar, com 33,08%, e Inácio Arruda (PC do B), em segundo, com 30,43%.

Ligação "tranqüilizadora"

Depois das denúncias de uso da máquina nas eleições, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, ligou para o Presidente, segundo a Coluna do Estadão, de O Estado de S. Paulo. "Não se preocupe que tudo isso acaba depois das eleições", disse Fernando Henrique, tranqüilizando Bezerra. "Política é assim mesmo".

Conde terá o apoio de Garotinho; Cesar espera contar com PT e PDT

Numa das disputas mais acirradas da história política do Rio, o ex-prefeito Cesar Maia (PTB) venceu por uma diferença de menos de 0,5% dos votos a candidata do PT, Benedita da Silva, e disputará o segundo turno contra o prefeito Luiz Paulo Conde (PFL), de acordo com O Globo. Assim que foi divulgado o resultado, Conde e Cesar começaram a busca pelas alianças que podem decidir o segundo turno. O prefeito teve menos votos do que as pesquisas apontavam, mas comemorou o apoio já declarado do governador Anthony Garotinho e a adesão do PMDB.

Conde afirmou que não se preocupa com Cesar Maia. "Que venha o touro". Cesar Maia conta como certa a adesão do PT e do PDT. A derrota de Benedita foi desenhada nas ruas desde cedo pela ausência quase completa de militantes do PT na boca de urna.

Em Niterói também haverá segundo turno: o prefeito Jorge Roberto Silveira (PDT) enfrentará Sergio Zveiter, do PMDB.

Surpresas

A realização de segundo turno em duas capitais onde o PFL esperava ganhar no primeiro surpreendeu o partido, segundo O Globo. Em Recife, João Paulo (PT), cresceu na reta final e deverá disputar com o prefeito Roberto Magalhães, que tenta a reeleição. Em Curitiba, Ângelo Vanhoni (PT), também impediu que o prefeito Cassio Taniguchi fosse reeleito ainda no primeiro turno.

Em Goiânia, a surpresa maior foi o petista Pedro Wilson, que de terceiro nas últimas pesquisas, chegou a primeiro e disputará com Darci Accorsi, do PTB.

Belo Horizonte

Célio de Castro, do PSB e João Leite, do PSDB , vão disputar o segundo turno em Belo Horizonte, de acordo com O Globo. Até o início da votação, Castro, que tenta a reeleição, ainda acreditava em uma vitória já no primeiro turno, embora procurasse deter um pouco o clima de "já ganhou" dos coordenadores de sua campanha. A decepção não tardou.

Na pesquisa de boca-de-urna, divulgada no final da tarde pelo Ibope, Célio de Castro obteve 48% dos votos e o tucano ficou com 29%. Maria Elvira, do PMDB, a terceira colocada, teve 17% dos votos. E no final da noite, com 94,58% dos votos apurados, Castro obteve 43,9% dos votos e Leite ficou com 31,2%.

Curitiba

As urnas confirmaram um segundo turno inédito em Curitiba, entre o prefeito Cassio Taniguchi (PFL), candidato à reeleição, e o petista Ângelo Vanhoni, apontando um importante crescimento do PT no estado, segundo O Globo. O resultado também representa uma significativa derrota do grupo do governador Jaime Lerner (PFL), que nas últimas três eleições municipais mantinha a tradição da vitória no primeiro turno.

Capricho

Desta vez o eleitorado caprichou, jogando a eleição para o segundo turno num grande número de capitais, inclusive nas três maiores, segundo a coluna Panorama Político, de Tereza Cruvinel, do Jornal do Brasil. No Rio e em São Paulo a pesquisa de boca-de-urna nem permitiu apostas sobre o segundo lugar. Na primeira hora, servem mais os resultados à avaliação do desempenho dos atores nacionais. E entre eles, contam-se mais feridos do que fortalecidos.

PT surpreende, ganha uma e disputa seis capitais

Os resultados das eleições para prefeito e vereador em quase todo o País, até as 23h, indicavam que o PT disputará o segundo turno em pelo menos seis capitais: São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Goiânia e Belém, de acordo com o Correio Braziliense. No primeiro turno, o partido já garantiu a vitória do deputado federal Marcelo Déda para a prefeitura de Aracaju.

As urnas eletrônicas deram uma grande decepção ao PFL, que esperava vitória imediata em Curitiba, mas o pefelista Cássio Taniguchi terá de disputar o segundo turno com o petista Ângelo Vanhoni. Num desempenho histórico para o PT, Marta Suplicy dispara na frente e garante, com tranqüilidade, um lugar no segundo turno na disputa pela prefeitura de São Paulo.

O Rio de Janeiro mostra que já não se debate entre esquerda e direita. Pela primeira vez na história recente da cidade, o eleitor terá de escolher o prefeito entre dois conservadores: o candidato do PTB, César Maia, disputará a eleição com Luiz Paulo Conde, do PFL, e deixa de fora a petista Benedita da Silva.

Ao contrário do que diziam as pesquisas, nada está decidido em Porto Alegre, Recife e Curitiba, e os eleitores voltam às urnas no final do mês. Tarso Genro, do PT, e Alceu Collares, do PDT, correm atrás do voto na capital gaúcha.

Em Goiânia, o petista Pedro Wilson vira a eleição e se prepara para nova rodada contra um ex-representante do partido, Darci Accorsi.

O candidato do PC do B, Inácio Arruda, derrotou Patrícia Gomes e seus aliados Ciro Gomes e Tasso Jereissati, e disputará o segundo turno contra o prefeito Juraci Magalhães em Fortaleza.

Em Belo Horizonte, o PSDB saiu-se melhor e conseguiu levar João Leite para nova rodada nas urnas onde enfrenta Célio de Castro.

No Entorno do Distrito Federal, a festa é dos tucanos. O PSDB venceu em nove prefeituras, mas está longe de tirar a hegemonia do PMDB nos 22 municípios da região econômica do DF.

Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Correio Braziliense, 02.10.00


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